Tecnologia do Blogger.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Chico Rapadura



/Homem simples e conhecedor profundo/
/Do belo mundo da pura cultura popular,/
/Que, sem hesitar, fazia feliz as crianças, /
/Com as histórias “verdadeiras” a contar./

/A essência do texto narrativo se tornava/
/Recheada, e provocava intensa atenção,/
/Levando à realidade o cerne imaginário,/
/Aquário perfeito para abrigar a emoção./

/Em suas apresentações, e com seriedade,/
/Contou que realizou, sem medo, um feito, /                    
/Ao sobrevoar lá da serra de Santo Antônio,/
/Em duas palhas de coco, um voo perfeito./

/Ao aterrizar ou pousar na cidade de Piancó,/
/Ele foi recebido como um herói verdadeiro,/
/Tornando-se, por inteiro, a ser considerado /
/Uma das autoridades do folclore brasileiro./

João Pessoa, 03 de julho de 2021 – 08h33min.

José Ventura Filho

terça-feira, 15 de junho de 2021

Festa de Santo Antônio: os cavalinhos chegaram


"Os cavalinhos chegaram", gritava uma criança, surgida do nada, ao ver o empoeirado caminhão do Parque Lima apontar na pontezinha da entrada de Piancó, ali perto da Rua Nova, onde ficava a oficina de Severino Leite. Esse era o primeiro anúncio de que a festa do Padroeiro Santo Antonio seria realizada com toda animação. O aviso corria de rua em rua na velocidade do menino nu da cintura pra cima e, em pouco tempo, todos ficavam sabendo que o parque de diversão estava na cidade. Chegar, para a gente, tinha um significado muito grande. Era sinal de alegria e felicidade.

Era como se a criançada combinasse para um ficar esperando o momento da vinda do parque, aguardado o ano inteiro. Esse instante de intenso contentamento representava o ponto alto das férias de junho. Tão logo o velho caminhão, com sua cabine cinza, capô preto e carroceria verde, estacionava ao lado da Praça Salviano Leite, a gurizada tomava conta do local à procura dos "cavalim", os brinquedos preferidos.

Independente dos preparativos religiosos, a festa para nós começava ali. Crianças e funcionários de "seu" Lima, dono do parque, se misturavam sob um céu extremamente azul. Sem se importar com o sol forte que deixava nossa pele totalmente vermelha, acompanhar de perto e ver todo o trabalho de montagem do carrossel e da roda gigante era um colírio para todos.

Os que estudavam pela manhã passavam a tarde observando os serviços. Quem ia para a escola à tarde tinha a manhã livre pra ver a correria. As tarefas de casa ficavam para depois, talvez à noite. O importante era estar ali pertinho olhando tudo.

As mães compreendiam essa necessidade dos filhos verem cada peça sendo montada. Com a sabedoria infinita que toda mãe carrega consigo, percebiam que esse momento, repetido a cada ano, era mágico. Era um encanto aos nossos olhos. A expectativa da montagem do parque só não superava a ansiedade de vê-lo funcionando.

Não sei por que, mas os "cavalinhos" exerciam uma magia em nós. Acho que era por conta do sentimento telúrico que existia, já que como sertanejos estávamos ligados às coisas da região. Havia uma identificação com esse brinquedo. Talvez porque no embalo do carrossel, viajássemos pelo mundo da imaginação, fazendo com que realidade e fantasia se tornassem uma coisa só.

Cada cavalo que montávamos, no sobe e desce da mola de aço, cavalgava mais que os demais, mesmo sem sair do canto. O pensamento inocente corria mais depressa e, naquelas voltas, conquistávamos nossas fazendas e nossos animais. Essa viagem encantada só terminava quando aquela alavanca impiedosa era puxada para trás por um funcionário insensível que, por dever de ofício, interrompia nosso sonho.

Entre as opções de divertimento havia, também, a roda gigante que girava sob o controle do simpático gordo Xerefa. Mas altura era coisa para as moças e rapazes, que se beijavam escondido, aproveitando a proximidade com as estrelas, ao som de músicas oferecidas pelos apaixonados, em forma de postal sonoro anunciado pelo locutor de voz grossa.

Mas, bom mesmo, também, era saborear cachorro-quente com guaraná Antarctica, nas barracas que faziam parte da caravana daquela empresa de diversão campinense. Enquanto os rostos infanto-juvenis se enchiam de alegria, os pais tinham o cuidado de separar um dinheirinho para que seus filhos pudessem se divertir.

Diz Zé Napoleão que as lembranças estão tão vivas em sua memória que, ainda hoje, sente o cheiro da tinta que pintava os bichos, com destaque para um cavalo pampa e outro empinado (o preferido de João de Joval), duas zebras, dois burros, além de outros. A pintura era tão nova quanto as roupas que nossos pais compravam para a festa. Mas para que roupas se ninguém as enxergavam, pois todos viam apenas os brinquedos.

Atualmente, a criançada prefere os carrinhos elétricos. Sinal dos tempos e do avanço tecnológico em um mundo globalizado. Afinal, em terra onde sertanejo tange gado montado em moto pra que cavalo? Pior será no dia em que os animais forem totalmente substituídos pelas máquinas. Talvez, assim, sintamos saudades da simplicidade e da ternura. Graça à Deus, tive a felicidade de ter levado minhas filhas Emília e Manuella ao Parque Lima de minha infância, pouco tempo antes da chegada dos eletrônicos.

É importante lembrar que a Festa de Santo Antonio sempre representou um momento de congraçamento entre as famílias. É o tempo dos piancoenses que moram fora se fazerem presentes em sua terra natal para matar as saudades e se confraternizar com familiares e amigos, nas novenas e quermesses.

Houve uma época em que apenas o ex-senador Rui Carneiro e o doutor Salviano Leite participavam das festividades. Aliás, foram os dois que iniciaram a tradição do mundo político paraibano se reunir em Piancó nesse período. Hoje, lamentavelmente, o aspecto político-partidário supera tudo, inclusive a parte religiosa. Há os que gostam desse momento de falsidade e conchavos. Há, no entanto, os que consideram isso uma invasão.

Certa vez, ao ser perguntado sobre a importância da presença de certos políticos nos festejos do padroeiro de nossa cidade, um amigo respondeu: "prefiro os cavalim". E eu também.

* Jornalista e professor universitário, piancoense, radicado em Campina Grande

domingo, 9 de maio de 2021

Como esquecer?



Hoje me bateu uma saudade enorme,  do tempo que a nossa família morava no Piancó. E não poderia deixar de falar da nossa Fazenda Volta.  Guardo essa relíquia com muito carinho.

Fecho os olhos e vejo os meus filhos Ademar Filho, Joanna Paula e Olívia, à noite brincando em frente ao nosso Casarão, com a meninada da nossa rua. E eu ficava sentada na cadeira de balanço, recebendo à  brisa, e sempre em boas companhias, apreciando as brincadeiras das crianças, e muitas vezes até também participava. 

Na fazenda, era uma maravilha!!!!!!
Logo cêdo, as crianças levantavam e com um copo na mão, corriam para o curral, para tirar o leite de uma  vaca,  que o vaqueiro já deixava separada.

Ainda andavam de cavalo e tomavam banho na barragem. 
Faziam cozinhado debaixo das árvores, juntamente com os filhos dos moradores. Eles colhiam o feijão na roça, e eu só as via entrarem correndo para a cozinha, pra pegar a mistura e os temperos.

À  tardinha íamos todos colher o algodão, que era plantado perto da nossa casa. 
Eu tinha uma criação de Guinés, era a minha paixão. Era em torno de 120. Eu no finalzinho da tarde, ía colher os ovos com uma colher. Se tocasse com as mãos, os ninhos seriam abandonados. 

À noite, tinha um filho de um morador, por nome de Juarez,  que tocava muito bem violão. Aí era a minha vez. Eu ficava deitada na rede da varanda, com algumas famílias dos  moradores, até tarde da noite, cantando todas as músicas do meu repertório. 

Ademar já deitado, ficava me chamando pra dormir. Eu só respondia, já vou........  

Como esquecer,  meu DEUS.  Eu era feliz e não sabia!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Gláucia Bronzeado

sábado, 18 de janeiro de 2020

Piancó e o voto secreto

Piancó, o Voto Secreto e o Professor Mesmo com a oficialização do Voto Secreto só tendo ocorrido em 1934, por ato do Presidente Getúlio Vargas, Piancó já teria iniciado essa prática, em 1916. A particularidade foi presenciada por várias testemunhas, no entanto o sucedido não teve nenhuma expressão.

Em 1912, Austreclino José de Oliveira, pernambucano da cidade de Triunfo, chegou ao povoado de Garrotes, onde adquiriu um sítio, objetivando residir com os seus familiares. Instalou uma loja de tecidos e nas horas vagas, lecionava em uma escola particular de sua propriedade.


Considerado um intelectual, dominador da língua portuguesa, do latim e do inglês, logo conquistou a simpatia de inúmeros alunos que moravam nas cidades próximas e convergiam ao ser estabelecimento, aumentando cada vez mais a sua fama e despertando a admiração da classe política.

O professor tornou-se figura obrigatória em todas as festividades e por diversas vezes manifestou o desejo de ingressar na vida pública. A concorrência, no entanto, o afastava desse sonho, época em que mandava em Piancó o deputado Felizardo Leite, Padre Aristides e Antônio Moreira, todos os representantes do mestre.

Eleição de 1916. No momento em que foi votar Austreclino José de Oliveira, ao ser perguntado pelo presidente da mesa; - A quem pertence o seu voto? A resposta veio original, sem qualquer constrangimento, - "Sou brasileiro, sou eleitor, o voto é livre, voto com a legalidade do título e com minha consciência. A urna dirá". Por ser considerado algo inaceitável para época, o voto acabou sendo anulado. Quem venceu as eleições foi o Padre Aristides. Divulgou-se que talvez Austreclino José de Oliveira, teria votado no Padre, mas devido a sua criatividade não soube ao certo em quem ele votou.

por Hosmá Passos, o poeta de Piancó e pesquisador em educação há mais de cinco anos.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Loucura de Apaixonado

Devo iniciar minha história falando de Izídero, que a gente chamava Izídio.
 Parece que estou vendo. O corpo alvo de Izídio, nu da cintura pra cima; ou melhor, coberto com um lençol muito alvo. Nunca me disseram a idade de Izídio. Devia ter uns trinta anos.

 Pois bem. Conheci Izídio – meu primeiro amigo – acometido (ele) de alguma enfermidade e deitado numa cama. Não me diziam nada sobre a doença dele. Eu tinha, nessa época, uns quatro anos. A verdade é que Izídio estava ali apenas esperando a morte. Fora para Campina Grande extrair uma bala, mas os médicos não conseguiram. Duraria apenas, isso no máximo, dois meses.

 Nunca me contaram direito a história de Izídio; de modo que a que vou contar aqui deve ter muito da minha imaginação. Aliás, muitas das histórias que contarei neste folhetim que hoje inicio tem muito da minha imaginação. Fatos que a minha versão pode ter desvirtuado. Sou um sujeito assim. Às vezes acredito que ela aconteceu, então ela vira verdade na minha cabeça; vira uma nuvem que passa, ora nítida, ora distante.

 A história que ouvi sobre Izídio foi uma bonita história de amor. Digna de romance. Repito: a história é verdadeira. Se minha imaginação aumentar, é coisa pouca.

 Izídio namorava uma moça, lá em Piancó. Os pais e os irmãos dessa moça não queriam o namoro. Davam nela, amarravam-na no terreiro de casa, deixavam-na de castigo... Tudo isso para que ela acabasse aquela história de gostar de Izídio.

 Izídio resolvera, então, tirar a moça da cidade, fugir com ela até um sítio próximo, o que se chama lá no interior, roubar a moça. Tinha que receber uma lição. Os irmãos dela resolveram, então, ir buscá-la e tirá-la “na marra” de Izídio. Fortemente armados – não sei o número, mas eram muitos – investiram contra Izídio, que não quis entregar a moça. Em desvantagem, não cedeu, mas terminou perdendo a namorada e sendo baleado. Agora estava ali, naquele estado, inutilizado numa cama.

 Eu ia para ali, para a casa de Izídio, todas as noites, cantar. Ele adorava me ouvir cantando. Me admirava muito; me achava inteligente. Eu, inocente, não sabia na época, que Izídio iria morrer em tão pouco tempo. A história de Izídio deve ser transformada, depois, em livro, desta feita contada em mais detalhes. 

De modo que o primeiro episódio marcante da minha vida foi esse: Izídio, o meu primeiro amigo, morreu por amar demais uma mulher. O amor e a morte entraram, então, na minha vida, logo cedo, fazendo de mim um sentimental em excesso, um homem dado a paixões descontroladas, uma sensibilidade extrema, carregada de emoções à flor da pele.
 (Publicada no extinto jornal O NORTE)

Por João Trindade

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Seu Batista de Piancó


Artigo de Luciano Pires 

Em João Pessoa, depois de uma palestra, saí do hotel pouco antes do almoço, com voo programado para as 15:30. O taxi chegou, com um senhor à direção. Entrei e pedi:

- Tenho um voo dentro de três horas, quero que o senhor me leve até um restaurante. Mas tem que ter ar condicionado!

- Ah, aí é comigo mesmo! Não dispenso ar condicionado!

Ele me levou até o restaurante, distante três minutos do hotel. Como era cedo demais, pedi que me levasse para um passeio pela beira-mar antes de parar. E a surpresa aconteceu. Ele me contou sua história.

“Seu” João Batista nasceu em Piancó, distante 500 quilômetros de João Pessoa. A mãe, com vários filhos e sem companheiro, vivia “da roça”. Uma vida difícil e sem perspectivas. E ele me mostra o dedão deformado:

- É de debulhar grãos. Como eu era o mais novo, era esse o meu serviço. E o “doutor” sabe como é, carne mole... Meu dedão ficou assim.

Aos nove anos de idade, certo de que não havia perspectiva naquela vida ele esperou que sua mãe e irmãos mais velhos fossem para a roça, juntou suas coisinhas e fugiu de casa em direção à capital. Chegou a João Pessoa em 1959, depois de percorrer os 500 quilômetros a pé, no lombo de jegues e de carona. Chegou sozinho, no centro da cidade, para se tornar morador de rua, fazendo bicos e vivendo da caridade dos outros. Aos 17 anos apresentou-se para o exército: “Era minha obrigação.”

Como sabia dirigir, foi designado para um trabalho nobre: pilotar o trator que recolhia o lixo. Tratava o trator com carinho, lavava no final de semana, pintava e mantinha a máquina impecável. Até chamar a atenção de um capitão, que o convocou a seu gabinete e perguntou se ele gostaria de ser motorista de sua esposa. Sua resposta foi óbvia:

- Não tenho habilitação.

Ele era analfabeto... Mas isso não foi impedimento. O capitão providenciou uma habilitação especial do exército e ele tornou-se motorista da família por alguns anos. Nesse período, obteve a habilitação civil, sem ter que passar por exames e quando se apaixonou por uma “dona”, largou tudo e a seguiu para o Rio de Janeiro. Não se adaptou e voltou para João Pessoa, onde passou a trabalhar como motorista de caminhão. Teve seis mulheres e dez filhos e hoje, aos 62 anos de idade, é motorista de taxi em João Pessoa, onde mora sozinho, realizado e feliz.

- Doutor, conheço todo o Brasil e tenho amigos em toda parte, sabe por quê? Porque nunca vou tentar fazer parecer que sei mais que o senhor. Sei da minha ignorância e faço questão de ser humilde. To feliz, criei 10 filhos, amo meu trabalho e continuo fazendo amigos como o “doutor”.

Sob a perspectiva de onde ele saiu, que chances teria na vida e até onde chegou, seu Batista é um imenso sucesso. Sem riquezas, diplomas, títulos e frescuras, apenas trabalhando honestamente e abusando do maior atributo que a vida lhe deu: a humildade. “Seu” Batista é o oposto de tudo que se prega hoje sobre “ser bem sucedido”. Mas é irresistível.

Eu, o “doutor”, o palestrante, escritor, viajado, diplomado, ouvi atentamente, até mesmo emocionado, sua história e saí do taxi admirando aquela figura. E com seu cartão de visitas no bolso.

Seu Batista será meu guia sempre que eu for a João Pessoa.

Tenho muito a aprender com ele.

domingo, 15 de setembro de 2019

Piancó



Minha terra sem guerra
era a bodega de Nôzim
Era o Dé Aleijado
ouvindo o sax de Paizim

Era o governo do açude
querendo ser atitude
quando riacho é conselho
Era o ensaio em deleite
da banda do primo João leite
Servindo-me como espelho

Era o furor Beira Rio
Era o celeste arrepio
De disputar cada puta
Era um errar tão divino
Que começava em Dino 
e terminava em Xuxuta

Até a política, tinha outra crítica
outra estatística e outra maneira
tinha o bar de Beliza e a turma indecisa
Fez do cinema ladeira

Oh todas as colunas empreste
Com suas reticências
Montenegro ou outras tendências?
E a voz de Nitrozim anunciando assim
O féretro sairá das residências...

As seis horas Ave Maria 
E quando já era outro dia 
Eu caminhava elegante
Na loja de Eliezer
E lá no Anão Dedé
Bebia com Louro marchante

E quanta coisa maluca 
Aprendi em salão de sinuca
Com Jorge, Carão ou Puluca
Com Lula, Catrolha e com Fogoió
Tudo isso fez de mim um libelo
Em saber que depois do Marcelo
Ostento um fatal Piancó.

Marcelo Piancó

Obrigado minha terra e desculpe meus amigos.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

O Pistoleiro Luquinha




Luquinha foi o maior pistoleiro do Vale do Piancó e um dos maiores da Paraíba; quiça do Brasil.

Não se sabe, ao certo, o lugar em que ele nasceu. Uns dizem que foi em Aguiar; outros que em Boqueirão dos Cochos (hoje, Igaracy). Em qualquer das duas na qual tenha nascido, será, originariamente, de Piancó, porque ambas, na época do nascimento dele, pertenciam a Piancó.

Luquinha nunca foi preso. Isso gerou muitas lendas sobre ele: Que quando a polícia chegava ele se transformava em formiga; histórias de fugas espetaculares, em que fora cercado pela polícia numa casa, jogou um tamborete pela janela, atirou e saiu pela portas dos fundos... Enfim, histórias fantásticas e maravilhosas criada por um povo acostumado a criar fantasias, para enfrentar a realidade dura do sertão...

A verdade é que Luquinha, como tantos pistoleiro, era protegido e acoitado por donos de terras; grandes fazendeiros; daí, sempre se safar.


Luquinha... Que criança de Piancó não ouvia falar nele, em histórias contadas pelo pai (da criança)?
Luquinha, então, se multiplicou...


Não houve um só Luquinha; houve vários. Luquinha virou uma metonímia e hoje é parte da história da região.


(Essa crônica dedico ao meu amigo/parente/conterrâneo Marcello Piancó e ao também amigo do peito Francisco Pinto).


João Trindade 

quinta-feira, 30 de maio de 2019

A Fome e o Desemprego



A fome ainda é um tema proibido. Desde o início da civilização que o tema fome é discutido, mas sem nenhuma solução efetiva. A agricultura poderia ser o meio mais eficaz para se combater este mal. Políticas públicas não são planejadas no âmbito do Município para se erradicar de uma vez por todo, o problema da fome. As secretarias de Ação Social, Saúde e Agricultura, poderiam muito bem, desenvolverem projetos neste sentido. Mas a ociosidade e o comodismo, não deixam as cabeças dos titulares destas pastas, pensarem. E o problema continua!

Cooperativas, Associações Comunitárias [Urbanas e rurais], organismos públicos e privados, as escolas; poderiam se organizar através de Simpósios, e ver se dali saia alguma idéia para se combater a fome.

O aproveitamento de muitos alimentos que tem em suas cascas a maior parte das vitaminas, não é aproveitado. Às vezes por desconhecimentos. Outras vezes por puro comodismo e “nojo”.

O SESI, o SENAI, são organismos que se dispõe a dar aulas de orientações de como aproveitar melhor os nossos alimentos. Porque não conveniar estas entidades a, por exemplos, CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), Prefeitura, Câmara de Vereadores, e Casa de Cultura?

Nós nos acostumamos a reclamar. Mas são reclamações que não levam a nada. Mesmo porque, quando somos chamados a encampar lutas para o progresso de nossa terra, esquivamo-nos e dizemos que não temos tempo para tal prática.

Tivemos um exemplo bem há pouco tempo, que foi quando a ex-professora e micro-empresária Carminha Vicente Leite Ferreira [filha do saudoso Antonio Vicente e de dona Terezinha], que organizou um pequeno grupo de pessoas e formou uma entidade denominada “Nossa Terra Solidária.” Não teve muito êxito! Por quê? Por culpa de Carminha?

Não! A culpa foi nossa mesmo. Porque ela se dispôs a entregar o seu comércio a terceiros, para disponibilizar o seu pouco tempo, para ensinar as pessoas a fazerem RENDA. A famosa Renda Renascença. E os “urubus” de plantão, começaram a imaginar que ela estava ali para colher dividendos políticos.

O empresário e agropecuarista Enoque Leite Gomes [da Pães e Massas Finas e Fazenda “Santa Clara"]; também foi mau interpretado quando se entregou de corpo e alma na organização da Associação de Caprinos e Ovinos do Vale do Piancó [hoje desativada]. Acharam que ele queria ocupar espaços para enveredar pelo campo da política.

Por isso que as coisas não funcionam e a fome persiste em nossa cidade. E para acompanhar a fome, vem o desemprego que consome as mentes das pessoas, levando-as a depressões profundas. Ocasionando a inadimplência no comércio local. Desorganizando muitos projetos pessoais e destruindo o nosso Município, e muitos lares.

O que fazer, para solucionarmos de uma vez por todas estes males que nos corroem e que nos afligem?  Será que rezar é o suficiente?

Programas sociais poderiam amenizar a fome e o desemprego. O que faz hoje o Governo Federal não pode ser exemplo para tirar o nosso Município deste atraso. Teriam os governantes, que planejarem melhor uma ação para solucionar o problema, e não para escondê-lo. Sabemos que muitos de nós hoje estamos vivendo graças a estes projetos do governo federal. Mas depois que ele deixar o governo, como ficarão as pessoas que hoje estão cadastradas? O caos será maior, pois se os programas fossem no sentido de instruir as famílias para se sustentarem, através de hortas comunitárias, artesanatos, cursos técnicos, etc., isso poderia ser bem aceito.

Não é a toa que muitos eleitores aproveitam os períodos eleitorais para explorarem os candidatos pedindo-lhe tijolos, telhas, dentaduras, óculos, etc. Eles sabem que depois de eleitos, nada mais será feito para a população. E o problema da fome e do desemprego ainda será o nosso grande desafio para este século que se inicia.

Antonio Cabral

terça-feira, 21 de maio de 2019

Antônio Açôite



/Ainda menino afoito, entre os sete e oito anos, / 
/Conheci um “doido”, chamado Antônio Açoite. / 
/Hoje, para mim, era um lendário, um visionário. / 
/Mesmo assim, tinha medo, não dormia à noite. / 

/A minha mãe quando queria que eu fizesse algo/ 
/Dizia-me para eu cumprir e não deixar esquecido / 
/Senão chamaria Antônio Açoite para ele resolver. / 
/Então se instalava na minha cabeça um zumbido. / 

/Ele era um homem de estatura muito avantajada, / 
/Tratava a minha mãe como madrinha e devoção; / 
/Tinha na mão um cordão com a pedra amarrada, / 
/Seu brinquedo preferido que lhe causava emoção. / 

/Na minha rua, sempre passava no mesmo horário, / 
/E eu temerário, debaixo da cama esperava sua ida;/ 
/Não tinha outra saída, minha mãe muito atenciosa/ 
/O admirava e o respeitava, entendendo a sua vida. / 


João Pessoa, 03 de março de 2019 – 09h22min. 

José Ventura Filho
Proxima  → Inicio