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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A PELEJA DE ZUZA LACERDA E ZÉ PELEGRINO


 
Um destes episódios que ajudam na estereotipação do sertanejo itaporanguense encontra-se na quase lendária história da República da Estrela e do seu personagem mais conhecido, o “coronel” José Cavalcanti de Lacerda ou, como é mais conhecido, Zuza Lacerda.    
       
O “coronel” Zuza Lacerda teria declarado parte de Misericórdia – o então distrito de Boa Ventura e sua fazenda, Curral Velho, atuais cidades desmembradas e independentes politicamente de Itaporanga, como independentes da Paraíba e proclamado uma república a qual batizou de República da Estrela. Precisar as datas é complexo pela escassez de fontes confiáveis. Sabe-se que os fatos teriam ocorridos nos primeiros anos da República no início do século XX, provavelmente entre 1905 e 1910.
Esta dita proclamação, não possuindo cunho ideológico profundo, constituía-se em mais um dos vários episódios coronelísticos por disputa de poder local, na qual se alicerçava a estrutura política e social de Misericórdia no início do século XX, não fossem as proporções adquiridas.      
     
A própria descrição tradicional de Zuza Lacerda já nos dá a estereotipia do sertanejo típico, misturando homem e mito:
Figura de baixa estatura, alvo, de faces avermelhadas, rosto redondo, olhos miúdos e claros ligeiramente azulados. Não tendo uma educação aprimorada, possuía, contudo, o dom das boas maneiras, que lhe davam um toque de pessoa de fidalguia. Ágil nos movimentos do corpo, tinha ímpetos de acrobata. Poder-se-ia dizer que tinha a agilidade de um gato quando se fazia preciso usar de rapidez. (FREIRE, 1974, p. 47-48).     

Para entender como o velho Zuza Lacerda ganhou fama e prestígio, é importante entendermos o contexto do final do século XIX em Misericórdia.

Em fins do século XIX era freqüente no alto sertão paraibano a presença de cangaceiros, que saqueavam as cidades e atemorizavam a vida de seus moradores. Isso ocorria por vários aspectos sócio-culturais e econômicos, bem como naturais – como a seca que insidiam sobre a região – somados ao abandono do poder público em especial pelo pouco efetivo policial da província, que geralmente era mais escasso no alto sertão.  Somando-se esses vários fatores tínhamos um cenário propício a tensões sociais.
Em fins do período imperial de nossa história, por volta da década de 1870, um desses bandos aterrorizava as cidades de Misericórdia, Piancó, Pombal e cercanias. Vindos da localidade Esperança, no Ceará, quase fronteira com a Paraíba, tal bando ganhou fama e preocupava o presidente da província paraibana, assim como o interior de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Eram os cangaceiros chefiados pelo bandoleiro Viriato, líder do bando conhecido como Viriatos. A notícia chegou aos ouvidos da Corte, no Rio de Janeiro, que recomendou ao governo local o combate aos bandidos sociais. Logo se organizou uma força de linha que se deslocou da capital para o sertão.

Em Misericórdia a frente da linha de combate destacou-se o então alferes, delegado do termo de Misericórdia, José Cavalcanti de Lacerda, que durante uma semana de caça aos bandidos culminou com as prisões e fim, até o último dos viriatos, merecendo citação no relatório do presidente da província da Paraíba em 1879.

Criminosos muitas vezes têm zombado da lei e das autoridades, e não raro a elas resisto à mão armada (...) tenho a satisfação de declarar que muitas vezes das autoridades policiais têm cumprido o seu dever e efetuado prisões importantes, folgando de mencionar entre elas os delegados de Piancó e de Cajazeiras e principalmente o delegado de Misericórdia, alferes José Cavalcanti de Lacerda que, com verdadeiro heroísmo, conseguiu, em uma luta prolongada e mortífera, desbaratar, no dia 21 de julho, a tristemente celebre quadrilha de assassinos e roubadores, denominada – viriatos – (grifo meu), flagelo do interior desta província e das zonas de Pernambuco. Rio Grande do Norte e Ceará, que com essa província se limitam. (“Segurança individual e de propriedade” IN.: R.P.P.Pb ULYSSES MACHADO PEREIRA VIANNA, 1879, p. 6-7).          
Coronel Zuza Lacerda
Anos depois, já alçado a mito a figura de Zuza Lacerda, assim descreveu o episódio no jornal “Correio da Paraíba” de 20 de junho de 1961, o padre Manoel Otaviano.A mortandade foi assombrosa.

A força perdeu pouca gente e os bandidos que escaparam da refrega fugiram em desordem, procurando matas, serras, vales, esconderijos. A força fracionou-se dando caça onde eles se encontrassem. Zuza, com a fama conquistada em árduas pelejas, assumiu o comando de uma parte da tropa com as honras de Alferes Volante. Mais de mês de caçada humana. Na fazenda Jenipapo, município de Conceição, Zuza com sua gente pisou na barriga do último Viriato, depois de todo um dia de forte tiroteio. (Cf. FREIRE, 1974, p. 49).   

Após esta façanha, o coronel Zuza viu seu prestígio e fama crescerem e foi outorgado com uma patente de coronel da Guarda Nacional, firmou-se eleitoralmente como líder político em Misericórdia.

Anos depois, com a chegada da República partiu para uma cadeira na Assembléia legislativa, o seu poder de influência nas decisões políticas do sertão tinham aumentado tenazmente. Amigo íntimo do desembargador José Peregrino de Araújo, candidato ao governo do Estado, deu-lhe apoio naquela eleição. Naquela oportunidade deu-se um fato curioso nas eleições estaduais para o mandato 1901-1904, a oposição deu como eleita a sua chapa, composta por João Tavares, Antônio Massa e Flávio Maroja; e, por seu lado, as hostes oficiais elegeram José Peregrino. Ao mesmo tempo, dois presidentes(hoje governador) haviam sido empossados para governar a Paraíba. O coronel Zuza Lacerda deslocou o seu pessoal armado para auxiliar ao amigo, se preciso fosse à conquista do poder (Cf.: FREIRE, 1874, p. 50). Apesar de a facção oposicionista contar com o apoio do então presidente da província José Peregrino, que governaria sob forte pressão oposicionista através da imprensa da época, principalmente dos jornais “O Comércio” e “O Combate”. Tendo que aceitar a candidatura do senador Álvaro Machado, que lhe substituiria no poder.

No Sertão, acabara de chegar para residir em Misericórdia, o deputado Wenceslau Lopes, genro do presidente José Peregrino, o que feria o prestígio e o poder local do coronel Zuza Lacerda perante o governo. Pois o presidente José Peregrino preferia apoiar o genro ao velho amigo. Aos poucos o velho Zuza foi perdendo o seu poder local para o forasteiro Wenceslau Lopes, que se firmou como líder político na cidade, as queixas de Zuza Lacerda ao governo já não tinham mais respostas. Frustrado com a política recolheu-se a sua fazenda Curral Velho e, sem se conformar com a perda de poder local, armou-se convenientemente e anunciou a independência de Misericórdia. Estava fundada a República da Estrela no Distrito de Boa ventura, que se tornou seu feudo Republicano. 

Diz à tradição que o velho Zuza tratou logo de organizar seu ministério, entre os amigos mais íntimos. Havia os ministérios da fazenda, Justiça, Guerra e por via das dúvidas o da Marinha. Organizou a feira –  a feira era uma das formas de demonstrar o desenvolvimento de uma localidade naquele período – onde ninguém pagava impostos, e partiu para o combate na sede do município, onde se travou luta com o pessoal do deputado Wenceslau Lopes, que se seguiram a contras reações e tentativas de acabar com o movimento. Não conseguindo penetrar no reduto da República da Estrela e já no final do governo do seu sogro José Peregrino a frente do Estado, o deputado Weceslau simplesmente deixou em paz o reino de Zuza Lacerda. Este também aquietou-se, e com o seu rival indo embora do município, o velho Zuza, também com seu prestígio arranhado, via-se sem sentido mais a existência da República da Estrela.

Percebe-se que a república da Estrela caracterizou-se mais como um movimento reacionário do que ideológico que tão bem descreve o período da República Velha no sertão paraibano, com um velho “coronel” que não estava disposto a perder o poder local, caracterizando-se assim tal disputa como mantenedora da estrutura de poder na região. Podiam-se mudar os mandatários, mas a estrutura era sempre a mesma de chefe político local clientelista e assistencialista baseado muitas vezes no sistema de compadrinho e, as vezes, na força. Será que isso ainda existe na Misericórdia atual?

Postado por Lourival Inácio Fillho.

A COLUNA PRESTES EM PIANCÓ: CORDEL



Agora eu vou contar 

Uma história verdadeira
Que se deu em Piancó
Uma cidade altaneira
Do sertão da Paraíba
Coisa séria, não foi besteira.

Dia nove de fevereiro
Do ano de vinte e seis
Os fatos que lá se passaram
Ficaram na nossa história
Uma glória às avessas
Do povo ficou na memória.

Eram oito da manhã
Quando Coluna entrou
Pensando ser recebida
Com respeito e sem ardor
Mas determinado soldado
Na coluna atirou.


Os homens de Carlos prestes 
Então malucos ficaram
Disseram: vamos vingar
A traição da cidade
E do padre Aristides
Só vai ficar a saudade.


O padre era líder político
Famoso na região
Tinha enfrentado os Leite
Com força e determinação
Prometera receber a coluna
Com respeito e consagração.

Mas acontece que o padre
Na verdade foi traído
Disseram que a coluna
Estava enfraquecida
Para agradar ao governo
O padre perdeu a vida.

A coluna avançou
Pela Nove de Fevereiro
Então chamada Rua Grande
Foi chumbo pra todo lado
“Nego” correu assombrado
Sem rumo e sem roteiro.

Havia – essa é a verdade –
Dois piquetes na cidade
Um era da polícia
Outro dos homens do padre
Tudo gente bem valente
De nome e honestidade.

Mente quem diz que o padre
Com cangaceiro se juntou
Para enfrentar a coluna
Com muita gente se armou;
O contingente do padre:
Quarenta amigos de valor.

Em dado momento alguém
Levantou uma bandeira
Era branca da cor da paz
Mas foi mesmo uma besteira;
O tiroteio aumentou
Causando muita zoeira.

Existe muita versão
Acerca dessa bandeira
Umas com lógica, outras não;
Vamos dizer quais são
Para que o leitor conheça
A história verdadeira.

Uns dizem que foi um detento
Preso naquele dia
Mas o padre Otaviano
Despreza essa “aresia”
Diz que foi Manuel Cândido
Chefe da coletoria.

O padre fala a verdade
Porque com Manuel conversou;
Os homens o revistaram
Nenhuma arma encontraram
Segundo o pobre de Cristo
Tomado pelo terror.


Não houve muitas bandeiras
Como enganado falou
Um certo Domingos Meireles
Que disse muitas asneiras
Sendo um homem de TV
Se mete a historiador.

Também a respeito mentiu
O livro de Anita Prestes
Que em nome do pai assumiu
uma bobagem falando
Como certo afirmando
Aquilo que o pai não viu.

Prestes naquele dia
Em Piancó não estava
Tinha ficado em Coremas,
De Piancó bem perto
A verdade é que ao certo
Ele de nada sabia.

O fogo maior se deu
Perto da praça principal
Bem ao lado da cadeia
Foi uma batalha campal
Agora eram só os do padre
Combatendo aquele mal.

A coluna se não era
Sanguinária se tornou
Tocaram fogo na casa
Do padre e o fogo provocou
A corrida de Inácio
E de outro morador.

Inácio disse ao padre:
- Vamos fugir do lugar
O padre disse: - não fujo
Morro, mas vou ficar
A morte não me amedronta
O meu dever é lutar.

Inventaram sobre o padre
Algo que não tem perdão
Dizem que ele ofereceu
Mil votos pela salvação
O padre sabia que votos
À coluna não interessava não!

Seguiu-se então a maior
Chacina da região
Os homens arrancaram o padre
Da casa, sem compaixão
Nem deixaram o pobre rezar
A reza da extremaunção.

A verdade é que há suspeita
E a versão é corrente
De que inimigos do padre
Da ocasião se aproveitaram
Juntaram-se, então, à Coluna
E do homem de Deus se vingaram.

Um livro de Glauco Carneiro,
Historiador verdadeiro
Fala dessa versão
Que o povo consagrou
O inimigo seriam os Leite
E essa historia se abafou.

Há também uma história
De uma máscara caída no chão
Alguém teria se juntado
À coluna no Piauí
Levara uma surra do padre
E da vingança viera agir.

A versão não é provada,
Mas a máscara existiu
Joanita, a filha do padre
Comprovou a existência
E falou a esse poeta
Com bastante coerência.

A verdade é que a chacina
O nome da coluna manchou
A passagem por Piancó
Pra ela não trouxe valor
Somente a fortaleza
Do sertanejo comprovou.

O padre errou porque quis
Ao governo agradar
A coluna porque exagerou
Para uma “traição” vingar
E os Leite porque – diz o povo! –
Quiseram se aproveitar.

Julgue você, leitor,
Os fatos que aqui contei
As coisas que têm fervor
O peso delas não sei.

Tire sua conclusão
Razão procure usar
Interesse na verdade
Não vá se atrapalhar
Da cidade filho sou
Ah, mas tenho valor
De saber reconhecer
E só o que é certo dizer.


Com critério e sem partido
A verdade procurei
Vasculhando, destemido,
As versões que encontrei
Leia também, amigo,
Cada livro que encontrar
Acerca desse episódio
Na história singular
TRINDADE agora se despede
E o cordel vai terminar.
Por Prof. João Trindade

O TOPO DO CRUZEIRO

 
 
 
 
Do topo do cruzeiro tudo é mais bonito
do topo do cruzeiro se ver a cidade
é lá que eu quero morar.

O topo do cruzeiro é muito longe
 custa-se muito a chegar
 mas é lá que eu quero morar.

Todo o céu fica a noite inteira
sobre o topo do cruzeiro
é lá que eu quero morar.

À noite a lua preenche o espaço
e fica belo o luar
é lá que eu quero morar.

Os animais lá se escondem
para ninguém os maltratar
no topo do cruzeiro eu quero estar.

 De lá se avista o Piancó inteiro
 tudo parece ficar perto do ar
 é lá que eu quero morar.

 No topo do cruzeiro.


Autor: Hosmá Passos da Silva Filho

Cidade: Piancó - PB, Rua Pedro Inácio Liberalino, Nº 290
Contato: hosmafilho@hotmail.com e 9648-5425 ou 9187-1640

POEMA REFLEXIVO






Quero no meu Piancó
professores bem preparados
a educação que inova
os ideais a toda prosa.
Contestadores!

Professores que questionam
mas também se posicionam.

Quero no meu Piancó
professores conscientes
que criam, aperfeiçoam-se
interior e exteriormente.
Inovadores!

Geração que busca o crédito
pelo verdadeiro mérito.

Quero no meu Piancó
professores potentes
saudáveis de corpo e mente.
De pés no chão!
Professores fortes!

Que formem cidadãos conscientes
que garantam o futuro da nação
que ao errado dizem não que aos imobilistas dizem não
e aos enganadores, mil vezes não!

Quero professores conscientes
no meu Piancó!

Autor: Hosmá Passos da Silva Filho
Cidade: Piancó - PB, Rua Pedro Inácio Liberalino, Nº 290 Contato: hosmafilho@hotmail.com e 9648-5425 ou 9187-1640

sábado, 28 de janeiro de 2017

SEU CABO, VÁ DESARMAR AQUELE INDIVÍDUO CHICO NITÃO!






Piancó é cidade ilustre e não é de graça. Foi lá que a Coluna Prestes travou o único grande combate no Nordeste, morrendo, entre outros, o padre Aristides, comandante da resistência.
O batalhão da Coluna estava sob o comando de um tenente baixinho e valente: Cordeiro de Farias. 

João Pereira Gomes, promotor, começou carreira em Piancó. Na feira, passava o coronel Chico Nitão: 2 revólveres na cintura e uma cartucheira na barriga. O promotor chamou o cabo: – Seu cabo, vá desarmar aquele indivíduo. O cabo arregalou os olhos: – Senhor doutor promotor, desarmar logo o coronel Chico Nitão? – E eu quero saber quem é o coronel Chico Nitão? Vá desarmar, é a lei PIANCÓ O cabo foi buscar o delegado, tenente Sobreira, que se espantou: – Doutor promotor, o senhor mandou desarmar o coronel Chico Nitão? – Mandei, tenente. Não me interessa quem seja. É a lei.  – Doutor promotor, o coronel é gente famosa, herói da região, combateu vários grupos cangaceiros, Lampião, Antonio Silvino, até com a Coluna Prestes ele brigou. Ele tem esse privilégio de andar armado. – E eu com isso? É a lei. Vou cumprir a lei. – Doutor promotor, alguns anos atrás apareceu por aqui um promotor igualzinho ao senhor, jovem e homem da lei. Mandou desarmar o coronel Chico Nitão e o coronel respondeu: – Diga ao doutor promotor que as minhas armas só saem da cintura debaixo de festejo. E o promotor morreu. – Bem, tenente, sendo assim, suspenda a operação, que vou à capital conversar com o governador. João Pereira Gomes, promotor e homem da lei, foi à capital e nunca mais voltou a Piancó para desarmar o coronel Chico Nitão. 

Essa história, que Piancó conhece e o saudoso José Américo de Almeida contava, tem 80 anos. É de antes da Revolução de 30. Um tempo muito antigo, de poderes muito atrabiliários. E o Brasil era um País feudal. Hoje, mudou. O Brasil há muitos anos deixou de ser um País feudal para ser um País legal. Tem uma Constituição jovem e moderna. Tem instituições discutidas e aprovadas por uma imensa maioria eleita pela Nação. Não há mais coronel Chico Nitão decidindo o que quer e o que não quer, o que pode e o que não pode. O tempo dos Chico Nitão passou. O Senado precisa decidir se é um Senado Federal ou Senado Feudal. Jornalista Sebastião Nery

DR. RUI GALDINO, 86 ANOS DE UMA VIDA DE SUCESSO!


Ontem foi o aniversário do Juiz aposentado, Dr. Rui Galdino. Ao lado de familiares e amigos ele completa e comemora, 86 anos de vida e vida bem vivida. Rui, nasceu no Sítio Santa Cruz, zona rural do município de Piancó-PB, no dia 28 de dezembro de 1928. Filho de João Galdino da Costa Filho e Otília de Figueiredo Costa, Rui, é fruto da junção das famílias Figueiredo, Costa e Galdino, tem 14 irmãos ( alguns já falecidos ), 04 filhos e 07 netos. Neto de João Galdino da Costa, um dos homens mais influente, retilíneo e valente da história do Vale do Piancó, Rui, é descendente dos primeiros imigrantes que povoaram e fundaram a Vila Velha de Piancó, hoje, município de Piancó.

Os fluxos vitais da personalidade de Rui Galdino, fizeram dele um homem simples, mas, detentor de conhecimentos dos mais diversos que ao longo de sua trajetória de vida de sucesso, jamais procurou ostentar. Rui, foi um bom estudante na sua juventude, teve que trabalhar no comércio de Campina Grande para custear suas despesas, pois, ficou órfão de pai e mãe ainda muito cerdo, formou-se em Contabilidade e Direito, foi Advogado, Promotor de Justiça e Juiz de Direito. Hoje aposentado, o sertanejo que veio da zona rural piancoense, mora e sempre viveu em uma bela mansão à beira mar da praia de Manaíra.

Com hábitos simples e recatados, Rui Galdino, gosta de ler, escrever e receber amigos e familiares para uma boa conversa. Por ocasião de seu aniversário de 85 anos, no ano passado, Rui, lançou em sua residência, um livro que tanto desejava em homenagem à sua origem e à sua família: RUI GALDINO, UMA ICONOGRAFIA FAMILIAR. O livro, já com edição esgotada, foi escrito pelo seu primo, Clodoaldo Brasilino, e retrata toda história da origem da família, e de toda sua vida do sertão ao litoral.

Segue abaixo, discurso de Rui Galdino, por ocasião do lançamento do seu livro em 28/12/2013:


Discurso de Rui Galdino:

Meus amigos, familiares e parentes.
Queridos filhos, genros, noras e netos.
Minhas senhoras e meus senhores.

Hoje completo 85 anos de vida, exatamente hoje e vida bem vivida, graças a DEUS. E esta data tão importante para mim, torna-se mais especial ainda, em virtude do lançamento deste singelo livro que a muito tempo eu queria lançar, mas, que só agora eu tive esta oportunidade de fazer, por isso, estou imensamente feliz.

Quero agradecer a DEUS por ter chegado até aqui, aliás, quero agradecer a DEUS por tudo que ELE me proporcionou e tem me proporcionado até hoje. Claro que na nossa caminhada acontece de tudo e comigo não tem sido diferente, porém, entre os tropeços e avanços, com certeza avancei bem mais. Entre os meus defeitos e as minhas virtudes, com certeza as virtudes foram e continuam sendo bem maiores. Por isso, indubitavelmente me considero um vencedor.

Hoje estamos aqui para comemorar a vida e também o lançamento deste livro. E eu aproveito a oportunidade para agradecer a presença de todos vocês que aqui estão, bem como, a todos que de uma forma ou de outra, colaboraram me fornecendo fotografias. Agradeço também a todos aqueles que não puderam vir, mas que justificaram as suas ausências por telegramas, e-mails, telefonemas e até pessoalmente dias atrás.

Sem desmerecer os demais, eu quero fazer também neste momento um agradecimento muito especial ao meu filho, Rui Galdino Filho ( RUITO ). Confesso que eu já estava perdendo a esperança de lançar este livro, e RUITO que tem uma vida muito corrida e eletrizante, e sabendo do meu desejo de lançar este trabalho, resolveu parar um pouco do seu corre e corre, e disse para mim a cerca de 05 meses atrás: que iria procurar e juntar toda papelada e fotografias, manter contatos, trazer um escritor para nos ajudar e que no meu aniversário de 85 anos, iria me dar este grande presente:  que era o lançamento do livro na data do meu aniversário. E é exatamente isso, que está acontecendo agora: o meu aniversário e o lançamento do livro. OBRIGADO RUITO, esse realmente foi o maior presente que você poderia me dar nesta fase de minha vida, sem
contar com outros grandes feitos que você sempre fez para mim e para muitos sem nunca pedir nada em troca. Quem lhe conhece sabe que quando você realmente quer uma coisa só DEUS pode impedir. Você também trouxe o escritor CLODOALDO BRASILINO FILHO, figura extraordinária, oriundo de família tradicional do nosso PIANCÓ,  boa gente, nosso parente e que teve um papel também fundamental para a confecção e lançamento deste livro. CLODOALDO, obrigado por tudo !

Quero agradecer ainda a meu querido irmão Antônio Galdino, por ter feito o prefácio deste livro, e ao meu querido cunhado Péricles Serafim, por ter colaborado com sua bonita mensagem no livro. Muito obrigado: Toinho e Péricles.

Finalmente, quero agradecer a DEUS por tudo, este grande arquiteto do universo e da vida, que só ELE sabe o que faz e por que faz, só ELE sabe o tempo das coisas e por isso sempre foi e continuará sendo um grande MISTÉRIO para todas as criaturas. Peço a DEUS que me dê muitos anos de vida, para que possamos viver outros bons momentos como este.

OBRIGADO A TODOS !!!

É isso aí Dr. Rui, parabéns e feliz aniversário. Muitos anos de vida, saúde e sucesso sempre …

Publicado por Gutemberg Cardoso em 29/12/2014.

ELZIR MATOS – TRADIÇÃO ÉTICA E TRABALHO EM PIANCÓ






O nome não o indicava, mas Elzir Nogueira Matos pertencia a duas das famílias mais destacadas do sertão paraibano: os Leite Ferreira, de Piancó e os Matos Rolim, de Cajazeiras. Sua avó paterna, Francisca Leite Ferreira – dona Chiquinha – fugindo aos matrimônios endogâmicos, comuns nas famílias tradicionais, casara-se com o Juiz da comarca, o Dr. José Matos de Sousa Rolim, das núpcias, resultaram entre outros filhos Salviano e Tiburtino, ambos Leite Matos Rolim, este último o pai de Elzir e Eilzo Nogueira Matos. Viúva, dona Chiquinha voltou à terra natal, para criar filhos. 

Casou-se novamente, desta vez dentro dos hábitos familiares, com um parente distante, tendo outros filhos destas núpcias. Daqueles do primeiro leito, Salviano permaneceu em Piancó a partir de onde, apoiado na longa tradição política da família, encetou extensa e vitoriosa carreira, projetando-se política e admi-nistrativamente no estado e no país. Tiburtino foi para o Rio Grande do Norte, onde estudou, casou-se e lhe nasceram os filhos. Elzir, porém, sempre se manteve ligado a Piancó e, principalmente ao tio Salviano a quem dedicou irrestrita solidariedade durante toda a vida. Salviano, já residente no Rio de Janeiro, atraiu o sobrinho que, na então capital federal fez curso de direito. 

Formado, preferiu regressar a Piancó onde a capacidade que já se lhe reconhecia, fez a família escolhê-lo pra disputar em 1955, a prefeitura, sucedendo a seu primo e futuro cunhado Djalma Leite Ferreira. A administração de Elzir em Piancó tornou-se um padrão de qualidade. Já em 1957 era escolhido, em concurso promovido por entidade nacional e divulgado na grande imprensa, um dos dez melhores prefeitos do Brasil. Não chegou a concluir o mandato, pois no ano seguinte, o governo estadual o convocava para ocupar a Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio. Foi então que o conheci. 

Eu era, na ocasião, oficial do gabinete do vice-governador em exercício, Pedro Gondim. A chegada do novo secretário, aureolado com o renome de grande administrador, nacionalmente premiado, despertou natural curiosidade da grande parte dos auxiliares governamentais e da população que não o conhecia pessoalmente. Os primeiros contactos nos revelavam um homem ainda jovem – pouco mais de trinta anos – cortês, finamente educado, sem empáfias, mas sem acanhamentos. Era consciente de seu valor, mas essa consciência não o fazia assumir arroubos de superioridade. 

Pouco tempo depois de sua chegada, fui nomeado promotor público interino da cidade de Piancó. Lá aumentei as ligações com Elzir Matos. Nunca chegamos à intimidade, mas sempre fomos cordiais. Lá, também, pude observa-lhe o comportamento entre os conterrâneos. A todos tratava bem, a todos ouvia com paciência e deferência, até mesmo os adversários político que ele nunca transformou em inimigos e que, à unanimidade, reconheciam e louvavam seus dotes de administrador. Essa Secretaria foi o primeiro dos cargos exercidos por Elzir Matos fora de sua Cidade. Cinco vezes voltou a ocupar pastas estaduais, num reconhecimento de governos, das mais diversas tendências políticas, a seus méritos. Esteve em Funções de relevo na alta administração federal e em entidades de âmbito nacional e representou o Brasil em congresso da Organização Internacional do Trabalho. Em todas sempre se houve com aprumo, retidão e competência. Mas era, sobretudo um telúrico.

Apaixonado pela terra de seus ancestrais e que adotou como sua, planejava viver seus últimos anos de vida em Piancó. Lá adquiriu terras e montou uma fazenda, excelentemente estruturada e organizada para atividades agropecuárias. Não seria exagero afirmar-se que, tanto ou mais que os rendimentos que iria auferir das atividades rurais, queria o contacto com a terra e o convívio com os conterrâneos que recebia com prazer na sua Humaitá. 

Os projetos lhe foram frustrados. A morte repentinamente o levou, na plenitude do vigor intelectual. Preparava-se para disputar uma cadeira de deputado federal, com reais chances de eleição. Na câmara dos deputados, de certo somaria seu nome aos tantos paraibanos ilustres que brilharam no congresso Nacional. 

A família Leite teve singular projeção na política paraibana. Nos tempos imperiais, o Dr. João Leite Ferreira, deputado provincial, casara-se com uma filha de Felizardo Toscano Brito, o comendador Felizardo, chefe inconteste do Partido Liberal, e, com a morte do sogro, assumiu o comando do partido. Pouco tempo permaneceu na direção partidária, pois morreu dois anos depois.

A chefia dos Liberais paraibanos passou às mãos do seu cunhado Francisco de Paula Silva Primo, até o fim do regime monárquico. O advento da República não afetou o prestígio da família que se espraiara das origens piancoenses, e não apenas pelas comunas do vale do Piancó: Misericórdia, atual Itaporanga e Conceição. Dois filhos de Paula Primo, João Leite Ferreira Primo e Francisco de Paula e Silva Primo (Chico Paula), ambos deputados estaduais, comandaram, durante algum tempo, facções políticas em Pombal e Patos, respectivamente. 

Também em Teixeira os Leites atuaram, chegando à prefeitura. E, através do desembargador José Peregrino de Araújo, casado com uma sobrinha do Dr. João Leite Ferreira, galgaram o governo do estado, no início do século XX. O grande nome, porém, da família da primeira República foi o Dr. Felizardo Toscano Leite Ferreira. Médico formado na Bahia, fora, ainda bem moço, deputado provincial. Na República, chegou até Assembléia legislativa e, depois, à Câmara Federal. Sua chefia política não se limitava ao município de Piancó: estendia-se a grande parte do sertão paraibano. Os chefes locais reconheciam-lhe o comando maior. As nomeações para os cargos públicos nos diversos municípios sertanejos tinham que passar pela aprovação do chefe local e, depois, pela do Dr. Felizardo. Não foi caso único na Paraíba. Antes dele, o coronel Valdevino Lobo, chefe local em Catolé do Rocha exercera igual suserania na região norte do sertão paraibano. Depois dele, por algum tempo, o coronel José Pereira comandou, de Princesa, vários municípios do sul sertanejo. Fiel, como maior parte dos antigos liberais, ao comando estadual de Álvaro Machado e do monsenhor Walfredo Leal, o Dr. Felizardo e toda a família viu-se lançado na oposição a partir de 1915. 

Ser oposição naqueles tempos não significava apenas ficar as margens das decisões políticas e administrativas: era, sobretudo, não ter qualquer esperança de chegar a elas. As eleições eram manipuladas, a bico de pena, como se dizia. E, se acaso a facção oposicionista lograsse triunfar num pleito municipal, sua vitória não era reconhecida pelo poder estadual. Assim ocorreu até que João Pessoa assumiu o governo do Estado, em outubro de 1928. Decidido a renovar os costumes políticos e administrativos da Paraíba, declarou que, fossem quais fossem os resultados das eleições municipais que se iriam realizar em dezembro seguinte, a vontade das urnas seria respeitada. 

E foi o que aconteceu. A família Leite ganhou a eleição em Piancó e sua vitória foi reconhecida. Em reconhecimento pela atitude democrática, os familiares de Dr. Felizardo apoiaram a candidatura do Presidente da Paraíba à vice-Presidência da República em 1930. O mesmo aconteceu com a família Mariz em Sousa, de modo que nos dois importantes municípios sertanejos se formou frente única em torno da Aliança Liberal. Depois da morte de Dr. Felizardo Leite, o grande nome que surgiu foi o do já referido Salviano Leite Rolim. Ainda bem moço, foi alcançado, da prefeitura piancoense à Secretaria do Interior e Justiça do Estado. Era uma pasta que envolvia muitas atribuições – da segurança pública à assistência social, da educação à saúde, do relacionamento com os municípios à articulação política. Salviano houve-se bem em todos os assuntos afeitos à Secretaria. 

Transferiu-se depois para o Rio de Janeiro, então Capital federal, onde ocupou funções de alta relevância em órgão públicos e privados. Nunca, porém, se ausentou espiritualmente de Piancó, Ia regularmente a terra natal, acompanhava os problemas, tomava conhecimento de suas necessidades, e a tudo procurava encaminhar e solucionar, valendo-se de duas ligações e amizades na sede do governo do país. Privou da amizade de alguns Presidentes da República, nomeadamente Getúlio Vargas, em cujo Diário foi um dos poucos paraibanos nomeadamente mencionados, Juscelino Kubitschek e Ernesto Geisel. E, principalmente, participava ativamente da política local, nela influindo deci-sivamente, através de seu irmão uterino Antônio Leite Montenegro. E, como vimos, Salviano preparou o sobrinho Elzir para sucedê-lo. 

Com Elzir aconteceu uma coisa que faz lembrar João Pessoa. Tanto quanto o grande Presidente recebeu a indicação familiar para governar a terra de origem. Ambos realizaram administrações inovadoras e que serviram de paradigmas. E depois deles, o poder familiar esvaeceu-se. Depois de 1930, desapareceu o comando da família Pessoa no plano estadual. Em 1959, na eleição que escolheu o sucessor de Elzir em Piancó, o candidato familiar Mário Leite Ferreira, o “major Mário”, foi derrotado. 

Houve, ainda, uma sobrevida, com a posterior eleição para prefeito de Antonio Leite Montenegro, que não se reelegera deputado nem, posteriormente, em novas tentativas conseguiu voltar à Assembléia Legislativa. Um integrante do ramo de Conceição, Wilson Leite Braga, amigo pessoal de Elzir e que também o convocou para Secretário do Estado, chegou ao governo estadual. Eilzo Matos foi deputado estadual por mais uma vez.

Contudo, sua base eleitoral era no município de Sousa, recebendo muitos poucos votos em Piancó. Mas, no “Velho Guerreiro”, como Piancó foi chamado, não há atualmente, sequer um vereador da família Leite. Repetiu-se o acontecimento com outras famílias políticas pa-raibanas, hoje apenas constantes das páginas de história. 

Por Eilzo Matos, jornalista, poeta, ficcionista, historiador, biógrafo.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

LEMBRANÇAS DE PIANCÓ



Lanço-me um desafio: escrever sobre minhas lembranças de Piancó! 

Lembranças de Piancó? Quem sabe, não as tenho!... Saí tão cedo da cidade, que as lembranças, embora muitas, são em pouca quantidade. Mas há, sim, lembranças, que destilarei e, sempre que puder, nesta página de saudade (aí, o clichê passou dos limites!).

O que lembro de Piancó?

A morte do meu pai (ver foto). O caminho tortuoso, pelo Zoiti (sempre grafarei Zoiti assim; inventei esse substantivo próprio). A figura de Sapecado gritando:
-Morreu!
- Quem morreu meu filho? (Era a voz da minha mãe, aflita).
Nada, nada não; um galo que mataram. Não era um galo. Meu pai estava morto, na roça. A cruz ainda marca o local.

Sou um sujeito triste, porque as lembranças da infância são quase todas tristes. Lembro de Izídio (ou Izídero), para quem eu cantava quando tinha quatro anos. Ele, doente, em cima de uma cama, nu, da cintura para cima, esperando a morte, por causa de uma bala que os médicos não conseguiram extrair. A mais bonita história de amor que já ouvi; já contei, um dia, aqui. 

Lembranças de Piancó... O cheiro do picolé de “morango”, da sorveteria de Dino (ainda existe?). O de “morango” está entre aspas, porque havia só uma tintura; nas primeiras lambidas, o “morango” desaparecia; ficava só o gelo. De vez em quando, aqui em João pessoa, sinto o cheiro da sorveteria de Dino; o cheiro da minha infância.

E o “papa-figo”? Mais ou menos por ali onde hoje é o prédio da Câmara Municipal, havia um terreno baldio. Diziam que havia “papa-figo”. O medo de passar lá era enorme. A carreira era grande.
Ah, Piancó de muitas histórias que ficaram na minha cabeça. Os comícios de Pedro Gondim; a caneta que arranquei do bolso dele, quando eu tinha apenas 4 anos; os sonhos de menino que ficaram para sempre fincados em meu coração.

(“Quero pinga com limão, com limão, com limão...
Pra fazer uma feijoada, com feijão, com feijão...
Ô, ô,ô, ô,: Quero pinga com limão.”).
****
(“Você vai ver, você precisa ver em Piancó/ o nosso modo de viver...”.).

Eu não era nem menino.
Com apenas cinco anos de idade, parti.
“Piancó pra mim é uma cruz
Com meu pai estendido ao meio” (está num dos poemas meus).

Até a próxima. Se vocês ainda suportarem, caros leitores!

Por Prof. João Trindade


NA RUA VELHA


 
Este quadro, para os que não o reconhecem e o que retrata, mostra a famosa Rua Velha, a rua onde nasci. 

É uma obra saída do pincel de uma das mais singelas pessoa que conheço, além de ter uma inteligência rara e um amor incomensurável por nossa terra: minha prima-amiga, querida, Socorro Montenegro. Foi um dos maiores presentes que já ganhei na vida. Hoje, esse quadro ornamenta a casa do meu céu aqui na terra: meu sítio - meu mato, como gosto de chamar. Nele vemos a casa da minha vó, D. Chiquinha Leite; o portão de ferro que dava entrada para a casa dos meus país, lugar onde nasci; o famoso sobrado onde funcionou o Hotel Pernambucano, de Seu Idio; e o prédio onde funcionou a farmácia do povo, que foi de seu Virgílio e depois do saudoso piancoense Seu Joaozinho Cavalcante. Sobre esse quadro e essa rua eu fiz um pequeno poema épico , que também se chama: Rua Velha.

A bem da verdade, não sei se o nome do dono do hotel da Rua Velha era: Hildo, Idio, ou Ildo. Lembro muito dele e de sua elegante fisionomia. De sua voz rouca. Do trago do seu cigarro. Eu também lembro de sua filha, uma bela moça, chamada Carminha. Muito amiga de minha tia Liínha e da nossa amiga, Salete Diniz, que deve lembrar de tudo. Eu o chamava: vovô, agrado de criança, pelo qual me retribuía com bombons ou moedas, para eu comprar na mercearia de Seu Severino Zacarias, ou as chupetas de açúcar lá em D. Ivaní de Seu Valdemar Costa. Comprava também os picolés de manga de Lia de D Erundina, ou cocada ou tapioca de cocô a Anchieta de Miúda. Tinha também a opção da tapioca de cocô de D Natália mãe de Luizinho.                        

Esse sobrado foi construído pela família Parente, que nele morou por muitos anos. Depois passaram a alugá-lo, como foi o caso do hotel. Anos se passaram e ele foi abandonado. Meu velho pai pelejou para o município comprá-lo e fazer lá um museu-escola. Nenhum prefeito aceitou a idéia. Aí o prédio começou a cair. Como nossa casa era vizinha e nem os herdeiros nem o poder público tomava providência, o jeito foi ele vender uma camioneta e várias cabeças de gado para comprar o sobrado, prestes a cair por cima de nossa casa. Como não havia recuperação da estrutura, teve que arcar ainda com a demolição. Hoje, se tivesse sido tombado e adquirido pelo poder público, era um cartão postal de nossa história. Conheço muitos parecidos com ele: em Areia, Taperoá, Pombal, e tantos mais. Mas, infelizmente, isso é uma verdade: Piancó tem escrevido sua história por linhas tortas. Triste verdade. Aqui não quero procurar culpados.

Postado por Dr. Paulo Montenegro em 2014.


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