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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

LEMBRANÇAS DE PIANCÓ



Lanço-me um desafio: escrever sobre minhas lembranças de Piancó! 

Lembranças de Piancó? Quem sabe, não as tenho!... Saí tão cedo da cidade, que as lembranças, embora muitas, são em pouca quantidade. Mas há, sim, lembranças, que destilarei e, sempre que puder, nesta página de saudade (aí, o clichê passou dos limites!).

O que lembro de Piancó?

A morte do meu pai (ver foto). O caminho tortuoso, pelo Zoiti (sempre grafarei Zoiti assim; inventei esse substantivo próprio). A figura de Sapecado gritando:
-Morreu!
- Quem morreu meu filho? (Era a voz da minha mãe, aflita).
Nada, nada não; um galo que mataram. Não era um galo. Meu pai estava morto, na roça. A cruz ainda marca o local.

Sou um sujeito triste, porque as lembranças da infância são quase todas tristes. Lembro de Izídio (ou Izídero), para quem eu cantava quando tinha quatro anos. Ele, doente, em cima de uma cama, nu, da cintura para cima, esperando a morte, por causa de uma bala que os médicos não conseguiram extrair. A mais bonita história de amor que já ouvi; já contei, um dia, aqui. 

Lembranças de Piancó... O cheiro do picolé de “morango”, da sorveteria de Dino (ainda existe?). O de “morango” está entre aspas, porque havia só uma tintura; nas primeiras lambidas, o “morango” desaparecia; ficava só o gelo. De vez em quando, aqui em João pessoa, sinto o cheiro da sorveteria de Dino; o cheiro da minha infância.

E o “papa-figo”? Mais ou menos por ali onde hoje é o prédio da Câmara Municipal, havia um terreno baldio. Diziam que havia “papa-figo”. O medo de passar lá era enorme. A carreira era grande.
Ah, Piancó de muitas histórias que ficaram na minha cabeça. Os comícios de Pedro Gondim; a caneta que arranquei do bolso dele, quando eu tinha apenas 4 anos; os sonhos de menino que ficaram para sempre fincados em meu coração.

(“Quero pinga com limão, com limão, com limão...
Pra fazer uma feijoada, com feijão, com feijão...
Ô, ô,ô, ô,: Quero pinga com limão.”).
****
(“Você vai ver, você precisa ver em Piancó/ o nosso modo de viver...”.).

Eu não era nem menino.
Com apenas cinco anos de idade, parti.
“Piancó pra mim é uma cruz
Com meu pai estendido ao meio” (está num dos poemas meus).

Até a próxima. Se vocês ainda suportarem, caros leitores!

Por Prof. João Trindade


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