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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

NA RUA VELHA


 
Este quadro, para os que não o reconhecem e o que retrata, mostra a famosa Rua Velha, a rua onde nasci. 

É uma obra saída do pincel de uma das mais singelas pessoa que conheço, além de ter uma inteligência rara e um amor incomensurável por nossa terra: minha prima-amiga, querida, Socorro Montenegro. Foi um dos maiores presentes que já ganhei na vida. Hoje, esse quadro ornamenta a casa do meu céu aqui na terra: meu sítio - meu mato, como gosto de chamar. Nele vemos a casa da minha vó, D. Chiquinha Leite; o portão de ferro que dava entrada para a casa dos meus país, lugar onde nasci; o famoso sobrado onde funcionou o Hotel Pernambucano, de Seu Idio; e o prédio onde funcionou a farmácia do povo, que foi de seu Virgílio e depois do saudoso piancoense Seu Joaozinho Cavalcante. Sobre esse quadro e essa rua eu fiz um pequeno poema épico , que também se chama: Rua Velha.

A bem da verdade, não sei se o nome do dono do hotel da Rua Velha era: Hildo, Idio, ou Ildo. Lembro muito dele e de sua elegante fisionomia. De sua voz rouca. Do trago do seu cigarro. Eu também lembro de sua filha, uma bela moça, chamada Carminha. Muito amiga de minha tia Liínha e da nossa amiga, Salete Diniz, que deve lembrar de tudo. Eu o chamava: vovô, agrado de criança, pelo qual me retribuía com bombons ou moedas, para eu comprar na mercearia de Seu Severino Zacarias, ou as chupetas de açúcar lá em D. Ivaní de Seu Valdemar Costa. Comprava também os picolés de manga de Lia de D Erundina, ou cocada ou tapioca de cocô a Anchieta de Miúda. Tinha também a opção da tapioca de cocô de D Natália mãe de Luizinho.                        

Esse sobrado foi construído pela família Parente, que nele morou por muitos anos. Depois passaram a alugá-lo, como foi o caso do hotel. Anos se passaram e ele foi abandonado. Meu velho pai pelejou para o município comprá-lo e fazer lá um museu-escola. Nenhum prefeito aceitou a idéia. Aí o prédio começou a cair. Como nossa casa era vizinha e nem os herdeiros nem o poder público tomava providência, o jeito foi ele vender uma camioneta e várias cabeças de gado para comprar o sobrado, prestes a cair por cima de nossa casa. Como não havia recuperação da estrutura, teve que arcar ainda com a demolição. Hoje, se tivesse sido tombado e adquirido pelo poder público, era um cartão postal de nossa história. Conheço muitos parecidos com ele: em Areia, Taperoá, Pombal, e tantos mais. Mas, infelizmente, isso é uma verdade: Piancó tem escrevido sua história por linhas tortas. Triste verdade. Aqui não quero procurar culpados.

Postado por Dr. Paulo Montenegro em 2014.


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