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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

TEMPOS QUE DEIXAM SAUDADES - VOLTARÃO EM BREVE







Chegando final da tarde da sexta-feira, o trabalho no Escritório estava todo “em dia”. 

Chamava a Baixinha, passava prá ela os processos, despachos, pareceres, recursos, petições, contestações para arquivar ou encaminhar aos seus destinos respectivos. 

Passava, também, os contatos telefônicos que ela tinha que manter com os clientes. 

Concluído esse trabalho, entrava no Gurgel, e seguia em direção a zona rural, chegando até a sede da Fazenda. Lá chegando, descia do carro e ia logo trocando uma calça por outra (já meio surrada), trocava o sapato por uma bota, trocava, também de camisa; e, por fim, um boné, um chicote, as esporas agarradas à bota, e uma luva no braço direito. Subia até a pista de vaquejada, e lá chegando, o cavalo já estava selado e o esteireiro pronto pra “bater os bois” na porteira da entrada da pista. 

O esteireiro passa as rédeas do animal alazão, o vaqueiro monta no cavalo, ataca um pouco mais a cilha da cela, olha pro céu, dando graças por mais uma montaria. Após pegar com firmeza as rédeas, bate, com o chicote na aba da cela, o cavalo desperta, dá uma esporada de leve, e começa a “esquentar” o animal, às margens do brete. O esteireiro assim fala: “Doutor, o boi que tá no brete é corredor, segure o cavalo na porteira e empurra o boi prá cá, pra eu pegar”. A porteira do brete se abre, o boi sai, o vaqueiro empurra o boi pra cima do esteireiro, que pega na calda e passa para o puxador. A carreira segue “aprumada”, sem reparos, os cavalos (de puxada e de esteira) correm lado a lado, tendo o boi em entre eles, com total desenvoltura. Nas proximidades da faixa dos cem metros, o puxador enrola a calda do boi à luva com firmeza, segura o cavalo na espora do lado esquerdo, o animal empurra mais um pouco o boi pro lado do esteireiro que em sintonia, “dá um arrocho” no boi e, pegando o boi de surpresa, o puxador, em ato contínuo, dá um toque nas rédeas para o lado esquerdo, soltando-as, e ao mesmo tempo, agarrando no pescoço do cavalo, saindo da cela (com o pé no estribo do lado esquerdo) e, do outro lado, com o braço direito, puxando a calda do boi, até deixá-lo ao chão entre as duas faixas, sendo “conferido” pelo esteireiro, montado no cavalo Gold.

 Lá de cima (no início da pista), os outros vaqueiros gritam: “Hô Careca bom de gado ... ainda é vaqueirão” !! O ritual se repete com outros quatro bois, caindo, todos, no mesmo local.

Voltando ao convívio dos outros vaqueiros (que ficaram no início da pista), todos afirmam, sem pestanejar: os cavalos e os vaqueiros tão prontos pra qualquer corrida de vaqueijada!!”. Naquele instante, se apresenta o Balieira (o motorista) e assim diz: “o Caminhão tá pronto, lavado e abastecido; a gaiola do caminhão tá em ordem, e já botei em cima, a geladeira, o fogão, a TV, a feira, água, ração pros cavalos”, colchões, redes, ... tá tudo em ordem e pronto pra viajar”. Aí, o Careca diz: “mas, não é melhor ir somente amanhã de madrugada?”. O Balieira pula de lá e fala: “sabe como é, Doutor, ... pros cavalos é melhor viajar de noite, que é mais tranqüilo, não tem calor pros animais, etc, etc, etc”. Daí, um vaqueiro cochicha no ouvido do outro e diz baixinho: “Balieira quer viajar hoje, pra quando chegar lá no Parque de Vaquejada, deixar o Aleijado (tratador dos cavalos) tomando conta dos cavalos e ele ir pro forró na Casa de Show ... o Bala é malandro”. O Doutor não escutou aquela conversa de cochicho e libera o caminhão pra viajar naquela mesma noite. O Balieira, obviamente, já tava com a roupa “arrumada” pra viajar. Os cavalos são banhados e já entram no caminhão pra seguirem viajem.

Ao amanhecer do dia seguinte, o restante da vaqueirama segue viajem até ao local da vaquejada (as vaquejadas geralmente eram em cidades dos Estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará, e Paraíba). A vaqueirama lá chegando, encontra o Aleijado fumando um cigarro e o Balieira deitado numa rede, com uma ressaca “da mulesta”. O Careca vai fazer as inscrições dos vaqueiros. Depois, monta no cavalo pra passear, dando conhecimento do ambiente, ao animal. Chega, enfim, a hora de entrar em cena, o locutor Amauri, convoca pra porteira de entrada, a dupla de vaqueiros na inscrição 45, para a primeira investida. 

Daqui por diante, em outra oportunidade vou narrar; contudo, pode-se acrescentar que a dupla trouxe prêmio e troféu pra casa.

Remígio Jr. - 16/04/2013

 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

CARNAVAL - PRESERVAÇÃO DE CULTURA - LUTA!

 
 
 
 
 
Vejo com olhares de Cidadania, como grandiosa a sua Proposta e Preocupação sobre a realização do CARNAVAL DE PIANCÓ, inclusive, vejo que o protesto que em nada satisfaz o ego de quem bendiz ou maldiz a atitude coerente que teve, seja aproveitável em nada, absolutamente.
Há muita gente que precisa saber que o Carnaval, não é uma FESTA "per si", é uma TRADIÇÃO imortal para a vida nacional, é um Patrimônio Imaterial do Povo Brasileiro.

Envolvidos no sentimento PURITANO GOVERNAMENTAL propalado pelo TCE/PB, governantes de todas as áreas, têm se pautado por se amedrontarem e terminam por FRUSTRAREM as expectativas populares. Eles sabem que a realização desse EVENTO é mais preponderante do que uma VAQUEJADA que lutaram para derrubar e não conseguiram, e, a luta foi obrigatória, porque aquele tipo de evento, não tinha qualquer proteção pela Lei, é tanto que estão inovando e criando seu fundamento e tem o nosso apoio, não pela conduta que impõe dor ao animal, mas, pela evidente relação com a vida Nordestina.

Igualmente, pessoas que se alegam SANTÍSSIMAS nas razões e impugnam o querer de tantos quantos campeiam o desejo de vê mantida a TRADIÇÃO, que nomina ou exulta o nome do lugar que se mantém de Pé, algo como o CARNAVAL DE PIANCÓ, talvez não encontrem satisfações no que creem para assim se portarem e por isto escolhem formas estranhas para reclamarem bons propósitos de outrens.

Eu, particularmente com o sem as festividades MOMESCAS realizadas pelo Município, voltarei a minha terra naqueles dias, porque é o meu sonho estar no berço em que nasci, nos mais frios instantes, pelo menos, da sua caminhada, mas, protesto pelo melhor e unir forças é o melhor para o Piancó nesta hora.

Os Líderes, independente da posição ou função que exerça têm mesmo esta responsabilidade, podendo se desprender de algo que lhe pertença para beneficiar o seu Povo, principalmente quando o seu "quantum" tem origem na decisão desse Povo. Ora, uma estimativa tão pequena, como a que você trás a tona, com o Prefeito e o Vice doando 30% e os Vereadores rateando os outros 70%, seria apenas R$ 12.000,00 (Prefeito R$ 8.000,00 e Vice R$ 4.000,000) para aqueles e R$ 18.000,00 (Cada vereador R$ 1.637,00) para estes, tudo isto é para uma causa única, uma vez no ano e quem sabe, no mandato inteiro e o restante da Despesa numa luta com a Comunidade seria possível, com certeza.

Não há crise que impeça luta por crescimento, não há falta de recursos que imponha diminuição de capacidade de endividamento do Poder, não há governo que resista sem a força do Povo.

Eu até apoio as razões do Prefeito Daniel pela não realização do Carnaval com Recursos do Município, mas, abraço as propostas que vêm de gente que anda com o Povo feito você. Já emiti antes opinião, pela qual propus que ele mesmo (o Prefeito) e os Blocos, fossem a Sociedade e propusesse isto, uma "cota" social arrecadando fundos para fazer um Carnaval estilo este que você estar a propor, e, que tal se o Puder, no geral, fizesse essa cotização entre si e o restante fosse buscar na Sociedade.

Se precisar de mãos aqui tem duas, uma boca pra falar e ávida de ideias, sem pretensões políticas. Sou Carnavalesco e Filho do Musicista Toinho de Dorinha, não fujo a luta nunca. CARNAVAL É CULTURA, Desenvolvimento e Tradição. CREIO EM DEUS e quero Salvação e sei que quem Condena a ALMA é a ação inconsequente de pessoas e não o encontro delas para viver a vida em Plenitude.

José Carlos de Oliveira

 

O PROFETA VIROU CURANDEIRO






O barbeiro Genival tem lutado muito para conquistar a confiança do Povo do Vale do Piancó quando quer provar que é um enviado de Deus.

Antes de seu contado celeste, Genival tentava em vão ser músico. Gravou dois CD's. Fez sucesso em comícios com sua sanfona. Um dos seus Cd's  foi tocado até no programa de Malvino na Rádio Sanhuá. Infelizmente o reconhecimento do público não veio.

Decidiu então mudar de ares...
Quando se dizia profeta, tentava intimidar os sapos com o seu dedo indicador apontado. Não surtiu muito efeito porque os sapos avançavam em sua direção, causando-lhe grande frustração. Tentou adivinhar as secas e chuvas, mas sem qualquer sucesso. Quando dizia que chovia, o sol aparecia radiante. Quando dizia o contrário, as nuvens escuras despejavam chuvas. Para muitos, é folclórico; para outros, é pura enrolação.

Hoje, Genival deixou as profecias e passou a ser curandeiro. Hoje coloca à venda o seu xarope milagreiro. Diz que cura toda e qualquer doença. Quem quiser conferir... é só arriscar!!!

Pádua Leite

AMIZADE ÍNTIMA


 
ANTÔNIO AZEVEDO XAVIER, conhecido por “Amoge”, e ELSON DE FRANÇA, conhecido por “Totinha”, são amigos desde os tempos de criança. Cresceram juntos. Chegaram à fase adulta sem, contudo, ocorrer qualquer interrupção de sua amizade. Viveram sempre em Piancó.
No futebol, ninguém poderia imaginar Totinha sem a companhia de Amoge e, muito menos, o contrário. Eram amigos por toda a vida. Ninguém jamais esquecia os palavrões de Amoge quando era provocado por Totinha. “Nego fila da puta, passa a bola”. Assistir os dois defendendo a camisa do Piancó Esporte Clube era o mesmo que comparecer a um verdadeiro circo de palavrões. Totinha sempre debochando de sua criatividade: “Só Pelé faz igual a mim”. Amoge, não escondendo a sua ignorância: “Vai tomar no c..., nego fila da puta.” E assim caminhavam em defesa das cores do município enfrentando Itaporanga, Conceição, Aguiar, Coremas e até o Nacional de Patos.
Totinha trabalha no Fórum de Piancó, como datilógrafo da audiência, há muitos anos. Conhece todo mundo em Piancó. Amoge era testemunha oficial de Dedé de Xixiu em vários processos criminais.
Quando da chegada de um novo juiz, Dr. Adênio de Almeida Leite, Amoge foi intimado a comparecer ao Fórum para prestar depoimento, como testemunha de Dedé de Xixiu. No dia designado, Amoge compareceu ao Fórum e foi convidado a sentar de frente para Totinha para proceder a sua qualificação. Totinha, conhecendo Amoge e sua ignorância, resolveu provocá-lo na frente do novo juiz, que não conhecia ninguém na cidade:
- Seu nome? – indagou Totinha.
- Antônio Azevedo Xavier – respondeu indignado Amoge.
- Sua idade?
- 34 anos – respondeu Amoge, já sem entender o comportamento do amigo.
- Nome de seus pais?
- Francisco de Assis Xavier e Áurea Azevedo Xavier – respondeu Amoge já em fase de alta irritação.
- Seu endereço?
- Travessa nove de fevereiro, s/n.
Com cara de sério e com alto teor de deboche, Totinha resolveu fazer a última pergunta, que para o processo é de praxe, mas para Amoge representava uma desconsideração:
- O senhor sabe ler e escrever.
Amoge, já sem controle e em notória indignação, levantou-se e com o dedo apontado para Totinha, que já não segurava o sorriso nos lábios, disse, em tom explosivo.
- Nego, fila da puta, eu não estudei contigo. Tú não terminou o científico comigo, seu fila da puta. Vá tomar no c.., seu bosta!
O juiz, Dr. Adênio de Almeida Leite, surpreso com a conduta da testemunha, não acreditou no que acabara de ver e, de supetão, determinou a prisão de Amoge. Só voltou atrás por conta da mais abusada risada de Totinha, que explicou que se tratava de uma brincadeira.

Pádua Leite

PADRE ARISTIDES E A COLUNA PRESTES EM PIANCÓ O QUE TODOS PRECISAM SABER






Quando a Coluna Djalma Dutra/Siqueira Campos/Miguel Costa (depois chamada Coluna Prestes) realizava sua marcha histórica através do país, não era seu propósito o combate armado, mas a divulgação de ideias sociais renovadoras na política nacional.

Partidariamente, os coronéis sertanejos e suas oligarquias, que se alinhavam quer na situação quer na oposição, e desfrutavam as benesses do Estado, estavam de um lado; e do outro os reclamos do povo contra o atraso econômico e social que tal procedimento acarretava ao país, e era escutado pelos militares.

Quanto ao heroísmo do Padre Aristides, tal não me impressiona, porque não existiu. Ele era um desajustado, em conflito com Igreja Católica, réu condenado pela legislação canônica, proibido de celebrar ofícios religiosos, feroz defensor de privilégios. Um pedófilo, que ofendia os costumes, a sociedade. Piancó não merece o rebaixamento de tê-lo como herói. É verdadeiramente uma figura de nenhuma importância do ponto de vista da ética social, política e religiosa. Pelo contrário. Somente um pretenso coronel protetor de cangaceiros como tantos, no estilo da época. Não passava disto. E o que é pior, envolvido em negócios com personagens suspeitos que proliferavam nas feiras, no comercio de gado, de animais.

Todos conhecem e alguns remendaram a “história do boi lavrado”, boi roubado, contraferrado.

Eilzo Matos


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

FORRÓ EM PIANCÓ







Que as mulheres por aqui ta sobrando
Então não é preciso se aperrear
É mulher que quer da na canela
Me diga pra que vou me avexa
Carolina outro dia rejeitou meu amor
E já hoje veio me chamar
Se ate ontem ela me castigou
Mas agora sou eu que vou castigar
Eu nunca vi um forró
Que nem o de piancó

Macaxeira cheirosa e também jerimum
Já ta tudo lá no bujão
Violeiro ta dedo inchado
De tanto de hoje pelo cordão
E Zefinha rodou descuidada
E a saia rodada subiu do chão
E os homens ficaram tremendo
E tremendo eles tinham má intenção
Eu nunca vi um forró
Que nem o de piancó

Sanfoneiro acoita os teclados
Sem dó e soltando no dó maior
O pagode esquentou no terreiro
É pra só morrer no nascer do sol
Nem precisa ser bom dançarino
Pois no meu colchão dança ate coxó
Se vovô não se der a respeito
No meio do salão vai dançar vovó.

Ary Lobo


NO PIANCÓ







Você não pense
Que só é no Moxotó
Que tem cabra extravagante
Ele não está só
Vou lhe provar
Que também no meu estado
Tem sujeito viciado
Como tem no Piancó
Se atirar pra burro brabo
Segurar o mocotó

Dá nó em cobra
Isto lá é brincadeira
Vi cabra pegar pexeira
Dela retalhar-le a mão
Montar em touro
Amansar botar a canga
Vi um cabra de Pitanga
Fazer isso em Conceição
Lá viveu Clementino
Que brigou com Lampião

Lá tem morena, tem
Que tem sorrido também
Que ido lá um Alguém
É de ficar e chorar
Morena que a natureza
Lhe confiou a beleza
No piancó
Quem vai lá
Não quer voltar

José Marcolino e Luiz Gonzaga

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

PIANCÓ

 


Meu velho Piancó de tradição guerreira,
Nos meus estos de amor eu te vejo integral.
Seja embora meu berço a terna Catingueira
Eu proclamo que tu és minha terra natal.

Quantas vezes eu fui postar-me à ribanceira
Do rio contemplar a força do caudal,
Que a princípio regato, além, na cordilheira
Da Borborema, enfim, era um rio triunfal.

Ouço sempre dobrar o teu bronze sagrado,
A chamar à oração, a voz do augusto templo
Centenário é fiel ao culto do passado.

Saúdo com fervor a geração de agora,
Saúdo as que se foram nas lições do exemplo,
Escuto, Piancó, meu coração que chora.



Do livro “Mugidos e Aboios” (outubro/90) do Médico, político, funcionário público, poeta Firmino Ayres Leite. Atuou como médico por 20 anos em Piancó. Nasceu no dia 2 de outubro de 1902, na fazenda Bela Vista então Piancó. Médico da roça, Clínico Geral e Obstetra. Em casos de urgência, numa área sem cirurgião, operava.
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