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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

MANOEL ROSALINA





Manoel Rosalina era o mestre da Banda de Música de Piancó. Bom músico de piston, era casado mas louco por um rabo de saia.
Júlia Barbosa, morena fogosa e que ostentava traços de mulher sedutora, era “tata“, isto é, pronunciava as palavras com dificuldade, de forma que, às vezes, as tornava ininteligíveis.
Pois bem, Manoel apaixonou-se pela morena, inciando com ela um romance, que era aceito sem discussões pela esposa de Manoel. O “mestre” passou a ser, então, para Júlia, o inigualável, o melhor músico da terra, porque assim raciocinava Júlia quando se apaixonava. O mesmo raciocínio formulou quando se apaixonou por um alfaiate, que, por sinal, era uma extraordinária vocação da arte da tesoura.
Um dia, Manoel Rosalina foi destituído do comando da Filarmônica Santo Antônio, que era mantida pela Prefeitura Municipal, mercê de um movimento que os componentes da Banda encetaram junto ao Prefeito, cujas razões são inteiramente dispensáveis comentar, aqui. Entregue a regência a outro músico inteligente, Júlia logo demonstrou o seu despeito e a sua revolta pela demissão do seu amor. E, em tôdas as ocasiões que se lhe apresentavam, externava o amargor contra o “ato iníquo“. E as pessoas, para a perriarem, louvavam a harmonia da filarmônica, sob a batuta do novo mestre.
Certa manhãzinha, quando a banda desfilava pelas ruas, tocando alvorada da festa de Santo Antônio, padroeiro da cidade, pessoas que se dirigiam ao rio para apanharem água nas cacimbas, disseram para alfinetar Júlia:
— Agora, sim, dá-se gosto ouvir a banda com o novo mestre…
A reação de Júlia foi imediata:
— Quia nada. Banda só no tempo de Mané. Agora, acabou-se bandão…
E soltou um suspiro inebriado de amor…



PIANCÓ – FIGURAS E FATOS
por Felizardo Toscano Leite Ferreira Néto (* 5 de março de 1.930 + 27 de fevereiro de 2.001)

 
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